O cinema e o Kpop tem influenciado o crescimento pela procura dos aspectos culturais da Coreia do Sul, levando os fãs a conhecerem mais sobre a cultura, a culinária e até o idioma do país
Rafaelle Gomes
Fonte:
diariodonordeste.verdesmares.com.br
Em: 02/03/20
O
mundo direcionou o olhar para a Coreia do Sul depois que “Parasita”,
de Bong Joon-ho, levou a estatueta de 'Melhor Filme' na premiação mais
tradicional da indústria do cinema, o Oscar. A cultura coreana já
vem influenciando os brasileiros há algum tempo em diversos aspectos, seja no
cinema, música, gastronomia e até mesmo no idioma.
A expansão
cultural coreana não é recente, ela é resultado de investimentos reforçados
do Ministério da Cultura da Coreia do Sul. De acordo com um levantamento de
dados realizado pelo G1, em 2005, o Governo coreano criou um fundo de US$
1 bilhão para a música popular do país, o Kpop. Como consequência
disso, a Coreia do Sul deixou a 30° para a 6° posição de maior mercado
fonográfico do mundo em 10 anos, de 2007 a 2017. Durante o mesmo período, o
Brasil avançou apenas duas posições no mesmo ranking.
A explosão do Kpop no Ocidente aconteceu em 2012, com o hit "Gangnam style", de Psy. Desde então, os fenômenos da Coreia do Sul, como BTS, Black Pink e Monsta X conquistaram fãs em diversas partes do mundo, inclusive no Ceará.
| Após premiação de Parasita, Cultura Sul-coreana dispara no Brasil Imagem: noticias.portaldaindustria.com.br |
KPOP
A dança é
uma das características mais marcantes da música popular coreana. Os grupos desse
estilo musical realizam coreografias elaboradas durante suas apresentações e videoclipes,
se tornando uma “febre” mundial entre os jovens. Aprender essas coreografias
faz parte de ser fã de um grupo ou artista de Kpop.
Em
Fortaleza, não é diferente. Jovens se reúnem para ensaiarem juntos as
músicas de seus grupos favoritos. O que parece hobby, no entanto, já é
visto com um olhar profissional por alguns fãs da capital.
O Kouhai é um desses grupos. Ele foi fundado em setembro de 2019 e já
participou de diversas competições de coreografia de Kpop.
Nesses
eventos, os grupos reproduzem os passos elaborados pelos artistas
coreanos e investem em roupas semelhantes aos utilizados pelos ídolos de
Kpop. O estudante Gabriel Sampaio é um dos doze membros do Kouhai e acredita
que se apresentar nas competições é uma forma de ter reconhecimento
da dedicação dos participantes. “Além de estarmos fazendo uma coisa que a gente
gosta, precisamos ver também um propósito nisso, de forma que isso dê um
resultado, tanto pessoal como financeiro também”, explica.
Para reproduzir as coreografias, o Kohai ensaia semanalmente no Cuca Mondubim. Além das competições, o grupo participa também de mostras de Kpop em outros eventos de Fortaleza. Por conta desses encontros, Gabriel diz que passou a conviver mais com outros aspectos da cultura coreana. “Nos eventos, sempre há a venda de pratos típicos da Coreia, além de comentarem sobre as características do país. Então, a gente se aprofunda mais”, contou.
| Integrantes do BlackPink conquistam fãs Imagem: dbkpop.com |
IDIOMA
A
paixão pelo Kpop foi o motivo que levou Beatriz Gurgel, de 11 anos,
a estudar o idioma coreano sozinha em casa por meio de
videoaulas e plataformas de pesquisa. A estudante começou as pesquisas para
entender as letras das canções e compreender o que os artistas coreanos falavam
em entrevistas. “É uma língua complicada, acho que o mais difícil é decorar o
que significa cada símbolo e a pronúncia”, diz.
Fã de
BTS, Blackpink e Twice, ela quis conhecer mais sobre a cultura da
Coreia do Sul depois que conheceu Kpop. Além da música, a estudante passou
a consumir também pratos da culinária coreana e Doramas,
séries de drama do país, por meio de plataformas streaming.
O
crescimento da popularidade da música, do cinema e dos programas de televisão
coreanos é apontado por Yeji Yeom, coordenadora e professora do Instituto
de Língua Coreana em Fortaleza, como as principais razões pelo aumento da
procura do curso de coreano na instituição, que conta com cerca de 90 a
100 alunos por semestre.
Nascida
em Busan, na Coreia do Sul, Yeji conta que, antes de morar no Brasil, viajou
por vários lugares do mundo, e sempre encontrava pessoas interessadas nas
músicas, comida, cinema e no estilo de vida do país asiático. Em Fortaleza, o
padrão se repetiu e a coordenadora percebeu que muitos fortalezenses tinham vontade
de aprender o idioma, mas não encontravam cursos com professores nativos.
Identificando essa necessidade, Yeji fundou o instituto em 2016. “Muitas pessoas perceberam que a Coreia do Sul é um case de sucesso na área de educação e industrialização. Isso tudo faz com que mais pessoas queiram aprender sobre o país e consequentemente a nossa língua”, afirma.
| Hangul: a língua coreana Imagem: hallyubrasil.com |
CULINÁRIA
| Japchae é um prato feito à base de um macarrão de batata doce Imagem: jessicagavin.com |
Vegetais,
macarrão e arroz são alguns dos principais ingredientes utilizados na culinária
da Coreia do Sul. Caracterizados pelo sabor apimentado, os pratos do
restaurante Kbab precisaram sofrer algumas alterações nas receitas
originais devido à carência dos produtos no comércio de Fortaleza.
Branco
Sung, dono do restaurante, também nasceu em Busan, na Coreia do Sul, e conta
que precisou substituir o arroz coreano pelo japonês, mas que os molhos e
o macarrão utilizados nos pratos são importados do país asiático. “Outros
ingredientes como carne e verduras nós compramos no mercado local aqui. Para
arroz, usamos o japonês porque é similar ao arroz coreano”, explica.
| O Jaeyuk Bokum é um dos pratos servidos no restaurante Kbab Imagem: diariodonordeste.verdesmares.com.br |
No
Kbab, os pratos mais pedidos pelos clientes são o Japchae, um
macarrão à base de batata doce, e o Bibimbap, uma tigela de arroz
com vegetais e molho picante fermentado coreano. Branco explica que comer
arroz é algo bastante cultural na Coreia do Sul, onde as pessoas
chegam a se alimentar tradicionalmente com o produto três vezes ao dia.
“Uma das verduras que os coreanos mais gostam é a acelga. Nós fazemos KIMCHI
com acelga, por exemplo, que é pickle picante fermentado”, conta.
As
receitas coreanas do Kbab vêm conquistando o paladar dos
cearenses desde 2015.
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